Palavras de um Amigo

Palavras de um Amigo

De acordo com o dicionário, a alegria é um sentimento de grande contentamento, que geralmente se manifesta por sinais exteriores. Tem associadas as palavras felicidade, gáudio, júbilo e regozijo, sendo a tristeza o seu oposto.

Isto dito podemo-nos interrogar: de onde nasce a alegria? Das circunstâncias?

Nesse caso só poderíamos estar alegres quando a vida nos corresse bem no sentido de que o que acontece corresponder ao que desejamos. Ora não só isso nem sempre sucede como por muitas razões são uns mais bafejados do que outros com aquilo a que chamamos sorte. Ou seja neste caso a alegria seria um privilégio concedido por uma razão inescrutável apenas umas vezes ou apenas a uns.

A outra hipótese é que a alegria nasça não das circunstâncias mas do coração de quem as vive. Mas como pode isso ser possível se o coração humano é constituído por um desejo de verdade, de felicidade, de justiça e de bondade, que nem sempre encontra correspondência na realidade? Ou que a encontra mas limitadamente? O que pode alegrar o coração ao ponto que este se alegre mesmo nas circunstâncias aparentemente desfavoráveis?

Se o coração por ele mesmo não se pode dar a alegria que necessita é porque o que o alegra é qualquer coisa que lhe acontece (ao coração). Uma alegria que lhe chega através do amor que Alguém lhe tem. Uma alegria amorosa e gratuita que lhe permite (ao coração) alegrar-se e assim amar com sua vez as circunstâncias que lhe são dadas (as boas e as más, as desejadas e as inesperadas, as propícias e as difíceis). E amando-as alegrar-se, inclusive no sofrimento (neste caso a alegria chama-se letícia)

A Alegria que procuramos na Ajuda de Berço participando na sua atividade e cuidando das crianças que lhe são confiadas é esta: uma alegria do coração que se sente amado por Deus e por isso capaz, apesar das circunstâncias, de alegrar a vida aos outros, entre os quais estes seus mais pequenos. É que sem amor não há alegria….

António Pinheiro Torres