Editorial Jun15

Editorial Jun15

Na Ajuda de Berço, o dia-a-dia é pensado com base nas necessidades das crianças. O nosso desejo, desde a fundação, é que este tempo de acolhimento seja retemperador, que as compense do sofrimento que as trouxe até nós, das negligências sentidas, da falta de condições, da doença ou das adições dos pais, da pobreza, do risco, dos maus-tratos físicos e psicológicos e do abandono.

É necessário dar colo a estas crianças, prestar-lhes cuidados, aceitá-las, compreendê-las, dar-lhes espaço, alegria, cor, e, sobretudo, tempo para serem crianças, tempo para brincarem.

Porque brincar ajuda a recuperar e a crescer – está provado que os adultos que mais brincaram na infância são mais criativos. Mais importante do que ter o tempo completamente preenchido com actividades escolares, extracurriculares e desportivas, é preciso que tenham tempo para brincar. Mas isso não significa que nas casas da Ajuda de Berço queiramos iludir aqueles que acolhemos, como se, ao enchê-los de actividades queiramos que esqueçam o que ficou para trás, como se de um escudo protector se tratasse.

O que queremos é que tenham tempo para se encontrem com eles próprios e para irem ao encontro dos outros, crianças e adultos. Porque é do encontro com os outros que nascem as relações e é do jogo simbólico que se dá o desenvolvimento intelectual e moral. É importante que as crianças aprendam a comunicar, a relacionarem-se, a imaginar, a ter tempo para conseguir ser.

Os adultos que trabalham na Ajuda de Berço, profissional ou voluntariamente, são elementos muitíssimo importantes no desenvolvimento da personalidade das nossas crianças e das suas capacidades de resiliência. São agentes preferenciais para construir e desenvolver um tempo de brincadeira que seja retemperador, que os ajude a serem crianças felizes como todas devem ser.

Por isso, o Dia Mundial da Criança reveste-se de muito significado na Ajuda de Berço. Neste dia as regras são diferentes: não vamos ao teatro, ao cinema, nem a festas cheias de actividades e balões. Optamos por ficarmos juntos, crianças e adultos. Não há consultas médicas, não há trabalhos de casa nem actividades desportivas. Optamos por brincar juntos. Almoçamos, lanchamos e jantamos na companhia uns dos outros. E rimos.

As crianças fingem ser adultos e os adultos fingem ser crianças porque brincar dá saúde e faz crescer… E o coração de todos precisa de guardar dentro de si o sentimento do que é ser uma criança feliz.

Feliz Dia da Criança!

Sandra Anastácio