Editorial

Editorial

São 20 anos de acolhimento de crianças em situação de risco e/ou abandono, 20 anos de intervenção junto de 378 famílias onde predominam a desorganização familiar, a violência doméstica, adições várias como o álcool e a toxicodependência e a doença mental.

A Ajuda de Berço é uma resposta concreta desde 1998 aos problemas de muitas famílias, que através do acolhimento residencial dos seus filhos, encontram a oportunidade de dar a “volta” à vida e encontrar o caminho de resolução de muitos dos seus problemas.

Foram muitas as mudanças políticas e jurídicas no que diz respeito à protecção das crianças em risco. Mudanças estas que nem sempre vão ao encontro dos tempos das “nossas” crianças, porque o tempo dos adultos, das instituições e da Lei nem sempre andam de braço dado com o tempo das crianças.

A intervenção psico-social e jurídica junto das crianças em risco e suas famílias exige uma enorme competência técnica, rigor, afecto e atenção individualizada respeitando sempre o seu meio socio-cultural, etnia, religião e direitos de cada família e de cada criança.

Temos consciência das fragilidades de cada família, dos seus contextos sociais, sem a ideia utópica de que o caminho bom é o caminho sem espinhos, os caminhos têm avanços e recuos.

Estes 20 anos representam muitas vidas, muitos cruzamentos e encaminhamentos, muito esforço e muito boa vontade de todos os que têm contribuído e que acreditam que é possível mudar o mundo, nem que seja um bocadinho de cada vez.

Hoje, como há 20 anos atrás a Ajuda de Berço tem um papel essencial na defesa da vida, na vida das crianças que acolhemos e das suas famílias.

O desafio que abraçamos de construir uma casa nova para transferir os bebés acolhidos na Av. Ceuta – casa que já não tem as condições adequadas a um acolhimento residencial com parâmetros de qualidade – e acolher mais 16 crianças com doenças crónicas comprometedoras da sua integração na sua família biológica ou de adopção é sem dúvida o maior desafio da Ajuda de Berço, quer pelo investimento financeiro necessário como pelo investimento humano.

Como testemunhas dos milagres que temos assistido e vivido, há muito pouca coisa que nos faz ter medo. Acreditamos e temos Fé na presença de Deus nesta Obra e isso basta-nos para dizer sim, para que cada vez mais sejam menos as crianças vítimas do desamor.

Sandra Anastácio