Editorial

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Para nós fundadores, falar da Ajuda de Berço é falar de humanidade e esperança – e esperança na humanidade.

O primeiro contacto das crianças com a Ajuda de Berço é feito através de um grande sofrimento, sofrimento este provocado pelos cuidados negligentes, pelos abusos e pelo abandono.

Esta humanidade que aqui se vive e se sente é na maioria dos casos consequência do sofrimento destas crianças, mas também se vive e sente a Esperança.

Na Ajuda de Berço o sofrimento transforma-se sempre em Esperança, é este o Dom que as crianças trazem consigo. É obrigação dos adultos cuidadores que se dedicam ao acolhimento de crianças, zelarem por este Dom.

É na relação com as nossas crianças e os seus familiares que temos a possibilidade de ajudar a transformar as suas histórias. E as histórias mudam, e mudam para melhor!

É nisto que reside a razão da nossa Esperança.

O mais surpreendente é que com a ajuda que se dá a estas crianças, mudam as histórias de várias pessoas: muda a história de cada família, mesmo da família que provocou os danos sentidos pelas crianças; muda a história de cada criança; muda a história de cada colaborador e voluntário que ajuda no acolhimento de cada criança; e mudam também as histórias das famílias que através da adopção encontram a possibilidade de conseguirem ser pais.

É a partir de uma circunstância sempre dramática, que todas estas pessoas envolvidas encontram a possibilidade de se reerguerem e se tornarem melhores pessoas.

Estarão a pensar que será excesso de optimismo ter esperança quando o cenário é tão dramático… Perguntarão ainda qual o segredo?

Da nossa história, testemunhamos que o segredo passa por experimentarmos a presença de Deus no dia-a-dia do nosso trabalho, sentimos a Sua mão na vida das crianças aqui acolhidas e na nossa vida.

É preciso única e exclusivamente com Esperança agir no sofrimento, saber cuidar dos mais frágeis. É preciso não ficar paralisado perante a indignação que o sofrimento causa e todos somos poucos para ajudar quem mais precisa.

Na Ajuda de Berço sabemos que o acolhimento que aqui se faz tem que ser temporário e por isso há que agir para que cada criança tenha a sua família para o resto da vida.

Aqui o Natal acontece todos os dias e tem como berço não as palhinhas do presépio que aconchegaram o Menino Jesus, mas a Esperança de ser embalado e cuidado com a dignidade que a nossa humanidade exige.

A todos desejamos um Santo Natal e um 2018 de Esperança renovada.

SandraAnastácio