Editorial

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A privação do amor materno na primeira infância pode ter efeitos negativos sobre a saúde e desenvolvimento da personalidade nos indivíduos.

Após a separação estas crianças procuram outras referências de apego, mantendo relações afectivas com outras crianças à semelhança da vinculação mãe-bebé.

Os irmãos ocupam um papel de destaque no contexto familiar, as crianças passam a maior parte do tempo na companhia dos seus pares, irmãos, o que faz com que assumam um importante papel de vinculação e estabilidade nas suas vidas.

É obrigação das casas de acolhimento garantir cuidado substitutos como uma forma de tentar diminuir os danos causados pela privação dos pais nas crianças institucionalizadas.

Estudos mostram que a maioria das crianças institucionalizadas tem irmãos. É importante que estas relações íntimas que dão suporte à nossa sobrevivência e bem-estar e que compõe a nossa rede social, seja garantida permitindo que irmãos sejam acolhidos juntos.

Os irmãos têm um importante papel protector, porém, para que isso seja possível é preciso que convivam, é preciso ter a oportunidade de compartilhar vivências, história, objectos, pessoas e sonhos ao longo do ciclo vital.

É preciso garantir que os irmãos permanecem juntos nas casas de acolhimento e que possam dormir no mesmo quarto e realizar actividades juntos se quiserem, assim como é importante incentivar entre os irmãos, a manifestação de formas de cuidado, protecção, apoio emocional, demonstração de afectos.

Os irmãos são os que nos são mais próximos. Vários psicólogos defendem que compartilhar cria vínculos e os vínculos criam vidas compartilhadas, o que faz com que a relação entre irmãos nas casas de acolhimento reúna boas condições de construção de vínculos, porque muitas vezes a relação com pais e demais familiares biológicos, está imersa em sentimentos contraditórios devido à ruptura e separação.

Na Ajuda de Berço acreditamos que estimular e promover as relações entre irmãos fortalece cada um enquanto indivíduo e enquanto grupo ajudando-os a lidar com as adversidades e aumentando a capacidade de estabelecer relações afectivas seguras e duradouras.

Sandra Anastácio

Presidente da Ajuda de Berço