Editorial

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Não há famílias perfeitas, mas o mundo com famílias é a melhor herança que podemos deixar.

A família deve ser um verdadeiro espaço de acolhimento, de liberdade e de humanidade.

É em família que aprendemos a receber e a agradecer, aprendemos que cada um precisa dos outros para seguir em frente. É na família que aprendemos a experimentar os conflitos e o perdão.

A família é a escola de Humanidade que nos ensina a pôr o coração aberto às necessidades dos outros.

As famílias das crianças acolhidas na Ajuda de Berço merecem e têm o direito de ser ajudadas para conseguirem cumprir o seu papel parental.

A família é a instituição mais valorizada pela Ajuda de Berço e por isso é o que mais nos preocupa devido a todos os factores que vão contra a sua unidade, o seu bem-estar.

Não há famílias perfeitas, não existem.

Sabemos por experiência que é possível recuperar famílias, como sabemos também que outras não serão recuperáveis, sobretudo as que expõem as crianças à violência, ao abuso e abandono.

As fragilidades de muitas das famílias das crianças acolhidas na Ajuda de Berço são demasiado profundas, levando a que muitas vezes nem consigam reconhecer a exposição ao risco e ao perigo a que sujeitaram os seus filhos.

É um trabalho difícil e exigente e é necessário um grande investimento no apoio a estas famílias, quer a nível económico, quer a nível técnico especializado. Para recuperar famílias é preciso tempo e criar laços de empatia e confiança.

Só que o tempo das crianças, não é o tempo dos adultos. As crianças precisam de ter família para conseguirem ter harmonia e equilíbrio.

O acolhimento destas crianças, em casas de acolhimento residencial, é um factor de grande sofrimento e ruptura, que elas sentem sempre como um abandono.

O acolhimento, embora necessário para se poder intervir junto dos factores de risco, terá de ser sempre temporário. Em muitas situações, constitui-se como alternativa as famílias de adopção, que também não são perfeitas.

Para uma criança ser feliz, ela precisa de ser amada e cativada e a família, seja ela biológica ou de adopção, é onde se aprende a amar sem precisar ter um motivo para isso.

Ter e ser família é saber que:

– a felicidade encontra-se em pequenos momentos e que a alegria constrói-se aos pedaços, porque é aos poucos que a vida vai dando certo;

– não há famílias perfeitas, somos todos imperfeitos, todos com defeitos e todos em construção.

Em suma, uma boa família é um lar, um lugar de refúgio para onde sempre poderemos voltar.

A melhor família é aquela em que todos se sentem parte de todos, onde as alegrias e os sofrimentos são compartilhados de forma sincera e a força reside na união e nos momentos vividos.

A Ajuda de Berço tem sido ao longo destes 19 anos de existência um espaço de família na maioria das vezes temporário, outras vezes, aquele lugar onde se pode voltar para ser ouvido.