Abandono

Abandono

“Toda a criança nasce com o mesmo inalienável direito a um começo de vida saudável, educação e uma infância segura e protegida.” – Convenção dos Direitos da Criança.

Que bom seria que este direito estivesse assegurado! Mas como todos sabemos a realidade é bem diferente, verificando-se a necessidade de algumas crianças serem acolhidas na Ajuda de Berço (ou noutras instituições) por terem sido expostas a situações de perigo: maus-tratos, abuso, negligência ou abandono.

Quando falamos de abandono, estamos aqui a referir-nos a duas formas: um abandono efectivo, que diz respeito ao acto de deixar a criança entregue a si própria ou a outros deixando de a procurar; e ao abandono emocional, relacionado com a carência e a privação afectiva. Podem estar aqui assegurados os cuidados funcionais de higiene, alimentação, saúde, mas existe uma carência de cuidados afectivos ou de estimulação.

Face a uma situação de abandono é indispensável a presença de um substituto adequado da mãe ou de outro familiar que cuidava da criança, um adulto sensível e capaz de identificar e responder às necessidades da criança.

A instituição e todos os funcionários da mesma, têm a função e o dever não só de proteger e acolher a criança mas também de a respeitar e de tentar responder às suas necessidades a todos os níveis. Não se pode limitar a prestar os cuidados de higiene e de alimentação, numa idade em que o amor e a continuidade são importantes para que a criança consiga satisfazer as suas necessidades de afecto. Sob o risco das crianças chegarem a um estado tal de desamparo e de sofrimento irreversíveis…

Importa, pois, dedicar a cada uma das crianças acolhidas uma atenção especial, o reconhecimento de que esta é um ser único com características, necessidades e gostos particulares. É preciso reconhecer os seus progressos, dar sentido às suas manifestações…

É um trabalho exigente e difícil mas sem dúvida imprescindível para permitir a reparação e atenuação do sofrimento que a criança vivenciou. Os cuidados apropriados permitem à criança ainda acreditar que pode ser feliz, que o mundo é seguro e que pode confiar nos outros e nas suas capacidades!

Equipa Técnica