Esta é a história de
2 meninos que aos 2 anos finalmente
começaram a sentir como era bom
ter uma família
Nasceram prematuros, como acontece
quase sempre com os gémeos, facto
que os obrigou a ficar no hospital desde
o nascimento até aos 2 meses
de idade.
Foram então para casa com os
pais, mas esta era muito pequenina,
desarrumada e suja, ficando os 2 bebés
a dormir na mesma cama. Passavam a maior
parte do tempo sozinhos (um com o outro).
O pai trabalhava fora e quando estava
em casa bebia muito. Às vezes
zangava-se com a mãe, batia-lhe
e gritava, o que tornava a casa também
muito barulhenta. A mãe, ainda
jovem mas já com 4 filhos, não
tinha ajuda para cuidar das crianças
e sentia-se sozinha.
Estes 2 meninos acabaram por dar entrada
de urgência no hospital aos 8
meses com uma subnutrição
grave e anemia, por falta de cuidados
por parte dos pais.
Após 2 meses de internamento,
entraram para a Ajuda de Berço.
As crianças relatavam grande
avidez de contacto humano, mostrando-se
muito excitadas quando as pessoas lhes
davam atenção. Além
disso, apresentavam um grande atraso
de desenvolvimento, de que os médicos
tinham dúvidas que pudessem vir
a recuperar.
Os pais vieram visitar os 2 meninos
à Ajuda de Berço tão
poucas vezes que eles passaram a senti-los
como estranhos, não os reconhecendo
e chorando sempre que se tentavam aproximar.
Durante um ano a história foi
a mesma. A Ajuda de Berço trabalhou
em conjunto com o Projecto de Apoio
à Família e à Criança
e com a Santa Casa da Misericórdia
de Lisboa, na tentativa de que estes
pais melhorassem as suas condições
de vida para poderem receber novamente
os filhos, mas eles não aceitavam
a ajuda, recusando-se a admitir qualquer
responsabilidade pela situação
em que se encontravam os dois meninos.
Quando os gémeos tinham cerca
de 1 ano (e estavam na Ajuda de Berço)
os pais tiveram outro filho, que ficou
ao cuidado deles e que veio a falecer
em casa com 3 meses de idade, desconhecendo-se
ainda a causa da morte.
Por muito que possa custar a todos,
estes pais biológicos não
foram capazes de ser os pais destes
meninos, pelo que teve de se desistir
deles
Como todas as crianças, estas
duas necessitavam urgentemente de uma
família que lhes pudesse dar
todo o amor e carinho a que têm
direito. Na Ajuda de Berço fizeram
uma recuperação espantosa
e aos 20 meses já revelavam um
desenvolvimento normal para a idade.
O Tribunal concordou que a melhor solução
para estas crianças seria a adopção.
Com os 2 anos acabados de fazer os
meninos conheceram o casal que seria
a partir daí o seu pai e a sua
mãe, se se observasse uma boa
integração das crianças
nesta família.
A necessidade de chamar mãe
a alguém era tão grande
(os meninos nunca tinham dito a palavra
mãe) que logo no segundo dia
com os pais começaram a fazê-lo,
com um "à vontade"
tão grande que parecia sempre
terem vivido juntos.
Este amor tem-se consolidado aos poucos
e os 2 meninos finalmente sentem que
podem confiar em alguém. Graças
a esta nova família, provavelmente
conseguirão superar as carências
por que passaram no primeiro ano de
vida